27.1.15

A Beleza do Amor E-terno

"Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso (...)
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade do meu sofrimento.
...
Outros, felizes, sejam os rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza."
Miguel Torga
http://youtu.be/ENrcDsFcwtY
Orfeu, aquele que canta sabe que está cego, e esse é o seu terror, o de não ver a beleza infinita manifestada: a Amada - Eurídice
Mas ele não para de cantar: só cantando até ao fim do fim, espalhando a beleza através do seu canto ele pode aspirar de novo a ser quem é: a Beleza do Amor E-terno