25.1.15

Conquistar é tomar para si, fundar é fundir-se...

"'Olisipo' (Lisboa) é a nova Tróia; o mito recupera, em projecção especular, e amplia para o futuro o que fora negado no ponto de partida à infaustosa cidade que não foi poupada ao incêndio e à destruição. Efectivamente, Lisboa contrapõe-se a Tróia na figuração de Camões e de Pessoa; não é apenas o legado de um herói de passagem que lhe confere atributos, mas sim a imagem recuperada que a relança no futuro. (...) Por seu lado, o herói não se define pelo que destrói, mas pelo ...que resgata e repõe na harmonia do universo, alguma vez violada. Lugar antigo tinha de ser Lisboa; os títulos de glória que os tempos recentes, no séc. XVI, lhe traziam, tinham de advir de um fundador, mais que de um conquistador (...)." Aires Nascimento
A natureza não pode ser conquistada... só (apro)fundada!
Conquistar é tomar para si, é não saber amar sentindo e libertando
Fundar é fundir-se ao que se ama!


"Lugar distante, Lisboa é mais que lugar de passagem Lisboa (ainda que também o seja), porque é lugar de radicação – traço significativo são as relações familiares que tornam o local propício para transmissão hereditária. É por isso lugar de retorno: como regresso e como recuperação (...); lugar de recuperação se tornará quando o exercício da memória integrar os que ficaram a tomar conta do Finisterra." Aires Nascimento
Lisboa recupera a luz que perdeu quando o sentir nos integrar num todo